Esquema em frigoríficos abastecia PP e PMDB, diz Polícia Federal

In Corrupção
Esquema em frigoríficos, carne, propina

Nas últimas semanas, o Brasil tem passado por uma situação bastante delicadas, mas importante para desestruturação dos principais esquemas de pagamentos de propinas para vantagens indevidas em diversos setores como, por exemplo, o esquema em frigoríficos.

Nesse esquema, conforme apontado pela investigação da Polícia Federal, as propinas eram pagas à fiscais do Ministério da Agricultura com o intuito de facilitar o comércio de carnes que muitas vezes não estão próprias para consumo. A operação “Carna Fraca” deflagrada pela Polícia Federal no dia 17 de março desse ano, também abasteceram os partidos PMDB e PP.

De acordo com o delegado Maurício Moscardi Grillo, “Uma parte dos valores era revertida para esses partidos“. No entanto, o órgão de investigação brasileira ainda não conseguiu identificar os motivos que levaram os ficais subornados a repartir parte dos valores que foram recebidos. Além disso, os políticos beneficiados também não foram identificados ainda.

O atual ministro da Justiça Osmar Serraglio do PMDB_PR, que na época ainda atuava como deputado federal, foi um dos citados durante a investigação. Por meio de um grampo realizado pela operação de combate ao esquema em frigoríficos, a investigação conseguiu obter trechos de um diálogo entre esse personagem político e o suporto líder de todo o esquema.

No entanto, é necessário destacar que durante a investigação a Polícia Federal não encontrou indícios de ilegalidade por parte do ministro da Justiça e, portanto, não é alvo da investigação.

Durante as interceptações telefônicas, outras figuras políticas apareceram como, por exemplo, parlamentares do PMDB do Paraná, mais especificamente, o deputado federal Sérgio Souza que participa da Frente Parlamentar Agropecuária e o deputado João Arruada.

De acordo com o juiz Marcos Josegrei da Silva, Sérgio Souza mostrou ter uma certa influência sobre algumas decisões políticas, principalmente, em relação a manter o líder do esquema e deixar o fiscal Daniel Gonçalves Filho como o responsável pelo cargo de superintendência do Ministério da Agricultura no estado do Paraná.

Para tentar manter-se no cargo, o investigado recorreu a um dos seus assessores após ser afastado devido a instauração de um processo administrativo. A identificação dessas peças é muito importante para a desarticulação de todo o esquema em frigoríficos.

Deve-se destacar que uma das ligações gravadas, é possível verificar claramente que um dos investigados relata que “recebeu muito dinheiro do suspenso aí” em relação a Gonçalves Filhos.

No entanto, o juiz frisou que segundo sua percepção sobre os fatos não existe nada irregular ou ilegal e justificou que existe muita especulação sobre a respeito do papel dos parlamentares que não chegaram a ser investigados.

O deputado se posicionou sobre contra as especulações e nega todas as irregularidades e complementa ao dizer que o assessor mencionado durante a investigação da Polícia Federal contra o esquema em frigoríficos já não trabalha mais em seu gabinete.

Modo de operação

Antes de deflagrar a operação para tentar desarticular o esquema em frigoríficos, a Polícia Federal precisou realizar uma longa investigação sobre o modo de operação desse sistema de fraudes e propinas.

Conforme apontado, os ficais recebiam os valores, na grande maioria das vezes, em caixa de isopores ou por meio de transferências bancárias realizadas em nomes de terceiros. Além disso, em algumas situações recebiam os pagamentos até mesmo por meio de peças de picanhas e de outras carnes nobres.

Na lista dos frigoríficos alvos da operação estão os principais produtores e fornecedores de carnes do Brasil como, por exemplo, a BRF que é responsável pelas marcas da Perdigão e Sádia, e também a JBS, que gerencia as marcas Big Frango e Seara.

Ao todo, trinta empresas estão na relação de negócios a serem investigados pela operação que, inclui, as principais fornecedoras. Conforme apontando pela investigação, o esquema em frigoríficos era bem articulado o que dificultava a identificação de possíveis fraudes no setor. No entanto, a denúncia de um fiscal contribuiu para o desenvolvimento da operação.

De acordo com a Polícia Federal, o esquema em frigoríficos funcionava da seguinte forma:

  • Os frigoríficos vendiam a carne de modo ilegal. Conforme apontado pela investigação, em alguns casos até mesmo carnes estragadas eram colocadas no comércio.
  • Para passar pelo setor de fiscalização, os frigoríficos exerciam uma grande influência sobre o Ministério da Agricultura com o intuito de selecionar os ficais que iriam realizar os processos de fiscalização na empresa.
  • Com isso selecionavam somente os ficais conhecidos e que recebiam propina para facilitar a liberação de produtos adulterados por meio da emissão de certificados sanitários sem a devida fiscalização. Por meio desse sistema, muitos frigoríficos conseguiam colocar carnes indevidas para o consumo no mercado.

O principal objetivo da operação deflagrada pela Polícia Federal é o desarticular a rede criminosa desenvolvida para facilitar a fiscalização nos frigoríficos. A investigação mostrou ainda que carnes podres eram maquiadas por meio da utilização do ácido ascórbico que confere uma aparência de carne nova.

De acordo com a Polícia Federal, a operação para combater o esquema em frigoríficos é a maior já realizada na história do órgão.

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